Diferenças Alimentares entre Mulheres e Homens Atletas

ramon | 27/03/2018 | 0

Este artigo trata sobre as diferenças que há na alimentação de mulheres e homens atletas. Embora a base da alimentação em ambos os casos é semelhante, as pequenas diferenças existentes aumentam ao praticar esporte e exigir uma maior energia e outros nutrientes específicos.

Nutrição e Desempenho Esportivo

A nutrição é um fator determinante do sucesso no desempenho desportivo. Assim, existem dois pontos-chave para a alimentação de todo atleta: cobrir suas necessidades energéticas e planejamento para as diversas refeições ao longo do dia, tendo em conta, também, os horários de treino.

As necessidades energéticas não dependem apenas do sexo do atleta, desde que há mais fatores que entram em jogo: o peso, o tamanho, a idade, o índice metabólico ou taxa metabólica basal, bem como o tipo, a freqüência, a intensidade e duração do treino ou prática esportiva.

É importante ter em conta que os atletas de elite que realizem treinamentos de longa duração, como, por exemplo, fazer vários exercícios em um mesmo dia, o gasto calórico pode chegar a atingir entre 150 a 200 kcal/kg (chegando a ultrapassar os 45 kcal/kg de peso corporal ao dia recomendadas), ou seja, cerca de 7.500 a 10.000 kcal em algumas competições. Como é de se esperar, o ritmo acelerado do dia-a-dia, compromete-se o consumo de alimentos em intervalos regulares. Isto leva a que muitas vezes a ingestão que realizam os atletas é inferior ao que deveriam, e muitas vezes não se traduz em uma diminuição do peso corporal. Isto se deve a que o corpo, ao receber uma ingestão menor do que a necessária, reduz seu gasto calórico em repouso, com o fim de manter o seu peso. No entanto, não significa que esteja recebendo as calorias necessárias.

Além disso, de acordo com vários estudos realizados com atletas tem-se observado que depois de um esforço físico ou treinamento, muitas vezes, a fome diminui. Por isso, é importante ter em conta que, na ocasião, para uma nutrição ideal, você deve comer sem ter aquela sensação de fome. Especificamente, um estudo realizado com atletas femininas (Souza e Cols, 2004), mostrou uma longa trajetória de ingestão deficitária em hidratos de carbono e energia. Esta situação põe em perigo o sistema imunológico e a capacidade reprodutiva, entre outras implicações, tal como se explica mais adiante a tríade do atleta.

Principais Nutrientes Como Fonte de Energia

O tipo e intensidade de exercício físico realizado determinará os requisitos dos diferentes macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas), em função das vias metabólicas utilizadas durante o exercício.

Não obstante, com base no percentual de energia aportado por cada um dos diferentes macronutrientes, são os hidratos de carbono os principais, seguidos de gordura e, por último, as proteínas.

  • Hidratos de carbono devem ser a principal fonte de energia para o atleta, representando em torno de 50-60% do aporte energético total. As principais fontes são: cereais (arroz, quinoa, aveia…) e seus derivados, a batata, o pão e as frutas. Em função do desporto praticado os requerimentos serão maiores ou menores. Por exemplo: em planos de exercício moderado em que a duração seja de 1 h por dia, aproximadamente, a dieta deve fornecer entre 5 e 7 g/kg peso corporal/dia, enquanto que em esportes de resistência aeróbica, em que os treinos representem entre 1h e 3h a uma intensidade moderada-alta, a contribuição deve aumentar até 7-12g/kg peso corporal/dia. Enquanto que no caso de praticar exercícios extremos de moderada – alta intensidade e longa duração (>4-5h), como por exemplo, a Titan Desert a contribuição varia ao 10-12 g/kg peso/dia.
  • Gorduras: deverão levar em torno de 25-30% do aporte calórico total. É recomendável priorizar as gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas, pelo seu poder anti-inflamatório e de prevenção cardiovascular. Estas são encontrados principalmente em peixes gordos, óleo de oliva, abacate, sementes de abóbora, girassol ou de linho, e os frutos secos como as nozes. Tanto em homens como em mulheres, deve-se garantir um aporte mínimo de gordura para um bom funcionamento metabólico e hormonal.
  • Proteínas: é imprescindível que sejam de alto valor biológico para garantir uma boa recuperação muscular. As proteínas devem fornecer em torno de 10 a 25% do aporte energético total diário. As fontes principais são: os ovos, a carne, o peixe, o leite e seus derivados. Também são fontes ricas em proteínas, alimentos de origem vegetal como as leguminosas, frutos secos e derivados da soja como o tempeh, tofu ou soja texturizada.

Os fatores que influenciam as necessidades protéicas dos atletas são a idade, o sexo, a massa magra, o nível de condicionamento físico, a rotina e a fase de treinamento. Assim, as necessidades proteicas dos homens tendem a ser superiores às das mulheres devido a apresentar maior percentual de massa muscular. Em referência ao tipo de exercício, para os atletas de resistência, recomenda-se entre 1,2 a 1,4 g/Kg peso corporal/dia, enquanto que para os treinos de potência aumentam as necessidades de 1,2-1,7 g/kg peso corporal/dia. Podendo aumentar até 2g/kg peso corporal/dia.

O que Acontece com a Regra?

Outra das situações fisiológicas que têm as mulheres, diferentemente dos homens, é o ciclo menstrual. A menstruação não é uma contra-indicação para a hora de praticar esporte, mas sim deveis ter em conta que ao longo do ciclo menstrual das mulheres sofrem mudanças hormonais, que afetam o desempenho esportivo. Portanto, depende da fase hormonal que estejais, a forma de treinar e alimentar, bem como os resultados serão diferentes.

A Fase Folicular compreende desde o dia 1 ao 14 após a menstruação. Nesta fase ocorre: uma maior sensibilidade à insulina (com o qual se procedem melhor os hidratos de carbono) e uma maior utilização de glicogênio para obter energia. Além disso, o metabolismo cai. Ao utilizar mais glicogênio (para a obtenção da energia de que precisamos na prática de esporte), e, menos gordura, será imprescindível a ingestão de carboidratos suficientes.

A Fase denominada terapia de reposição hormonal (ovulação), vai desde o dia 14 ao 28 após a menstruação. Nesta fase, em contrapartida, ocorre um leve aumento no metabolismo, se perde a sensibilidade à insulina e aumenta o uso de gordura para fornecer energia ao corpo.

Nos dias de menstruação, aumenta a nossa Frequência Cardíaca, Temperatura corporal e a pressão arterial. A perda de sangue e conseqüente perda de hemoglobina, que provoca uma diminuição da capacidade do corpo na hora de transportar oxigênio para os músculos. Portanto, diminuem as possibilidades de trabalho do organismo, bem que nesses dias é recomendável não realizar exercícios que nos levem a elevados consumos de oxigênio. Além disso, você pode sentir maior fadiga e irritabilidade. Por tudo isso, esta será a semana de realizar uma atividade mais suave, dependendo sempre do caso particular de cada uma e suas limitações. É conveniente não deixar o exercício, já que este produz a libertação de determinadas endorfinas que nos ajudarão a reduzir as dores causadas pela menstruação, bem como a manter um bom humor e gasto calórico.

Nos dias anteriores à menstruação, no final da fase lútea, aumentam os desejos. Isso ocorre porque caem os níveis de estrogênio e progesterona. Se você passa, não pense que você é um caso isolado, acontece à maioria. Para estes momentos, tentar não sucumbir à tentação. Você pode comer frutas (as que são mais doces são uma boa opção) ou biscoitos com algum alimento proteico (peru, presunto cozido, nozes, queijo fresco…), isso lhe dará a sensação de saciedade. Não se pular nenhuma refeição, tenta comer a cada 3 horas, assim não dá tempo para que apareça a fome. Em momentos em que precisar acalmar a ansiedade com um alimento mais doce, pode optar pelo chocolate com um percentual elevado de cacau, já que-te-á uma maior quantidade de antioxidantes em comparação ao resto de variedades.

Necessidades nutricionais especiais em mulheres atletas

As mulheres têm necessidades diferentes dos homens também o que há a de acordo com o que a vitamina e mineral. Hoje, falaremos de três deles: o Ferro, o Cálcio e o Ácido Fólico.

O Ferro

O ferro é um dos elementos mais abundantes no corpo e é essencial para a realização de diversas funções biológicas.

O ferro desempenha um papel fundamental no transporte de oxigênio, já que é necessário para a formação da hemoglobina, a proteína de transporte de oxigênio, que é crítica para a capacidade aeróbica. Também é necessário para a função ótima de muitas enzimas oxidativas que afetam o metabolismo intracelular.

Existem evidências que sugerem que o exercício afeta os níveis de ferro e vice-versa, um baixo nível de ferro pode afetar negativamente o desempenho físico.

As mulheres de 19 a 50 anos de idade têm uma quantidade diária recomendada de ferro de 18 mg/dia. Na mulher atleta estas recomendações podem aumentar a 30 mg/dia, devido às perdas do mineral através da transpiração, as micro lesões que geram o exercício físico e a eliminação de sangue a nível intestinal (especialmente em mulheres que praticam esportes de fundo).

Quais são as fontes alimentares de ferro? De origem animal: carne vermelha (vaca, cavalo ou boi), gema de ovo, frutos do mar, aves e produtos de miudezas (rim, fígado…). De origem vegetal: cereais integrais, os legumes, as verduras de folha verde-escura (grelos, couve, folhas de beterraba, espinafre…), os frutos secos, fruta seca, as sementes (especialmente as de abóbora) e os produtos fortificados como alguns cereais ou algumas bebidas vegetais. O ferro animal, é absorvido muito mais que o ferro vegetal.

As dietas vegetarianas mal planejadas, o esporte de fundo, e a menstruação, são fatores de risco das mulheres para desenvolver uma deficiência de ferro (anemia ferropénica), por isso, se você está em um ou mais destes grupos, toma consciência do ferro que consome.

O Cálcio

O cálcio é o mineral mais abundante do organismo. Aproximadamente 1% do cálcio corporal será utilizado na contração muscular, enquanto que 99% se encontra em nossos ossos e dentes. Ou seja, o cálcio é um dos principais minerais responsáveis por manter a densidade do osso. Na idade adulta começa a perder-se a força dos ossos, processo que se acelera a mulher ao reduzir os níveis de estrogênio (hormônio que participa no metabolismo ósseo). As atletas com grandes cargas de treinamento e irregularidades menstruais (se traduzem em baixos níveis de estrogénio) devem prestar uma atenção especial ao aporte de cálcio., já que o desgaste dos ossos pode causar o chamado “fraturas de estresse”.

Os requerimentos de cálcio em adultos são de 800-1000 mg/dia, podendo aumentar em até 1.500 mg/dia em mulheres atletas, já que a atividade física aumenta a massa óssea e o conteúdo mineral.

Por tudo isso, a sua alimentação deve conter alimentos ricos em Cálcio, tais como: laticínios (leite, queijo, iogurte), bebidas vegetais ricas em Cálcio, marisco, peixe, nozes, sementes, legumes, cereais integrais enriquecidos, alguns legumes (brócolis, repolho, couve, folhas de repolho, alho-porro).

Nota! Não se esqueça de vitamina D, já que esta vitamina lipossolúvel ajuda a fixar o cálcio nos ossos. Suas fontes alimentares são: o peixe, os ovos, laticínios integrais, bebidas vegetais enriquecidos com manteiga. Mas, acima de tudo, garante uma correta exposição ao sol sem proteção solar, de 20 minutos, no mínimo, 3 vezes por semana.

O Ácido Fólico

O Ácido Fólico (vitamina B9) é um nutriente essencial para o organismo, especialmente por ser usado no corpo para: colaborar na regeneração muscular (criação de células vermelhas do sangue) em produzir e manter a estrutura do DNA, e também para prevenir o aparecimento de doenças como a anemia.

Em atletas, o ácido fólico tem um papel muito importante para reparar e fazer crescer as células musculares, resultando em um componente importante para alcançar um ótimo desempenho esportivo. Além disso, pode atuar como um potente agente antioxidante e combate os danos causados pelos radicais livres que são gerados no corpo de um atleta.

A quantidade diária recomendada de ácido fólico é de 200 mcg, sendo para os atletas, uma dose que pode oscilar entre os 800 e 1200 mg ao dia. O ácido fólico não pode ser sintetizado no corpo, para que a sua obtenção deve ser realizada através de fontes dietéticas. Quais são essas fontes? Os legumes de folha verde, legumes, nozes, sementes de girassol, abacate, cereais fortificados, gema de ovo, peixe branco e azul, peixe, marisco e produtos de miudezas.

IMPORTANTE! Embora os requerimentos de alguns minerais e vitaminas estão aumentados em mulheres atletas, ao ter recebido também as necessidades energéticas, isso facilita cobrir os requerimentos. Ou seja, ao comer mais, já conterá, também, mais macro e micronutrientes, desde que seja uma ingestão bem planejada.

Como evitar a tríade da atleta?

Algumas meninas que fazem esporte ou exercício físico de forma intensa, estão expostos a sofrer de um distúrbio conhecido como “tríade da atleta” (também conhecido como “tríade da atleta”). Esta situação afeta as mulheres e é uma combinação dos três seguintes doenças: doenças do comportamento alimentar, amenorréia e osteoporose. Um atleta pode ter um, dois ou os três componentes da tríade. Sem tratamento, e de acordo com que idade acontece, as consequências podem ser muito graves e irreversíveis, como a perda de força dos ossos, danos em órgãos devido à falta de nutrientes, perda excessiva de peso, ausência ou irregularidade na menstruação, fadiga, fraturas por estresse…

Para evitar este problema, é muito importante ingerir a quantidade suficiente de calorias para fazer frente às demandas de energia que envolve a prática esportiva que executam. Seguir uma dieta equilibrada, ter hábitos alimentares saudáveis e fazer exercício de forma moderada, são essenciais. Lembre-se que uma alimentação adequada permite otimizar o rendimento físico e contribui para melhorar os resultados desportivos. Nunca fazer uma dieta muito restritiva pode se beneficiar, uma baixa disponibilidade energética influencia negativamente na saúde óssea de atletas, quer diretamente, quer por um desequilíbrio hormonal em situação de amenorréia.

Dieta e alimentação para a maratona

ramon | 27/03/2018 | 0

Que aspectos nutricionais deve levar em conta no pré-treino?

  • Fazer uma dieta variada e equilibrada, ou seja, fazer uma ingestão diária de energia e líquidos, tanto em qualidade como em quantidade, sempre adaptada e personalizada para as características de cada atleta.
  • As necessidades de hidratos de carbono (cereais, arroz, legumes, pão, macarrão, batata…) estão aumentadas, a dieta será alta neste nutriente e a recomendação baseia-se em ingerir ao longo do dia entre 5-7 g/kg de peso corporal, quando os treinos que durem uma hora; e, acima de 7g por quilo se superam a hora de duração. O objetivo é poder render ao máximo, retardar o aparecimento da fadiga e da fadiga, recuperar os depósitos de glicogênio após o treino e, por conseguinte, diminuir o estresse físico do organismo.
  • Uma correta hidratação antes, durante e depois do treino, com água ou bebidas isotônicas se o treinamento dura mais de 90 minutos e contribuir para que o corredor tenha um desempenho elevado e que possa tolerar melhor o consumo de líquido durante a maratona.
  • Maior risco de perda de ferro, especialmente em mulheres, vegetarianos e pessoas que fazem uma alimentação justa em calorias e pouco variada.
  • Algumas pessoas que se preparam para a maratona tem como objetivo ajustar o percentual de gordura corporal, em ambos os casos, a ingestão de hidratos de carbono está em 3-5 g/kg de peso corporal e não cobre as recomendações anteriormente descritas. Assim, o treinamento não pode ser tão exigente e o desempenho não será o objectivo prioritário. A restrição da ingestão calórica baseia-se sobretudo na redução do consumo de gorduras; igualmente, se deve assegurar uma ingestão de hidratos de carbono em cada refeição e um consumo adequado de proteínas e micronutrientes (vitaminas e minerais).

Como evitar problemas de estômago na maratona

Tanto no treinamento como no decorrer da prova, os atletas sofrem alterações gastrointestinais ou problemas mais graves, como diarreia e vômitos que levam a uma diminuição do desempenho. Algumas recomendações para evitar esses desconfortos gastrointestinais são:

  • fazer a última refeição sólida mínimo 3 horas antes da maratona.
  • testar a tolerância aos diferentes tipos de alimentos e evitar antes do teste alimentos ricos em fibras, gorduras ou proteínas.
  • os atletas que tendem a sofrer problemas graves a nível gastrointestinal devem provar, inicialmente, com bebidas com uma concentração de hidratos de carbono de 2 a 4% e, quando a tolerância é boa, ir aumentado progressivamente a concentração de hidratos de carbono até o 4-8%.

Dieta para a maratona

E, qual deve ser a preparação nutricional para a competição?

  • Os 2-3 dias antes da maratona, é conveniente reduzir significativamente o exercício físico e fazer uma sobrecarga de hidratos de carbono de 9-12 g/kg de peso corporal para atender a suas necessidades de energia e preencher ao máximo os depósitos de glicogênio. Assim, pois, o dia antes tomassem abundantes hidratos de carbono, uma certa carga proteica, digerível e com pouca gordura (frango ou peixe branco) e evitar alimentos gordurosos, já que tornam a digestão, picantes, fibrosos e fermentados no intestino, como os alimentos integrais, verduras, legumes e leguminosas. Beber água ao longo do dia.
  • No dia da competição nunca se deve experimentar um alimento novo, nem no café da manhã ou nas estratégias nutricionais que posteriormente se seguirão no decorrer da maratona, já que há que evitar o risco de possíveis problemas gastrointestinais. O café da manhã deve ser umas 3 horas antes de começar a prova, deve conter entre 100 e 300 g de hidratos de carbono, e deve conter alimentos com baixo teor de gordura e fibras, além de evitar alimentos que possam provocar flatulência, irritantes ou picantes.

Exemplos:

  • dois iogurtes desnatados com compotas e cereais, um banana.
  • suco de pêssego, pão branco com mel e queijo fresco 0%, uma maçã.
  • suco de manga, um iogurte sabor de cereais e pão branco com marmelo.

Neste vídeo, você pode ver exemplos de cafés da manhã para corredores.

Além disso, convém beber lentamente cerca de 5-7 ml/kg de peso corporal, ou seja, entre 2-3 copos de líquido (pode ser um de água e outro de bebida isotônica ou dois de água e um de bebida isotônica) cerca de 2-3 horas antes de começar a corrida.

Hidratação durante a maratona

Na primeira hora de corrida, você pode tomar a 300 ml de água ou bebida isotônica e, dependendo do peso do atleta, entre 30 e 60 g de hidratos de carbono a cada hora, os produtos melhor tolerados são os géis e a bebida isotônica. A partir dos 60 minutos, é conveniente hidratar o corpo com bebida isotônica que fornece os carboidratos e eletrólitos que são perdidos com o suor, como o sódio. Há que ter em conta que o aumento da temperatura corporal que se dá quando se corre este teste, faz com que o risco de desidratação seja elevado, aumentando assim o estresse cardiovascular do organismo. Por isso, a ingestão de líquido estará entre 400 e 800 ml/hora, mas estas recomendações, sempre terão que ser ajustados de forma individual, já que a transpiração varia entre cada atleta de acordo; tamanho corporal, grau de treinamento, sexo, ritmo e as condições ambientais.

É muito importante não sobrestimar as perdas por transpiração, os corredores mais lentos, de menor tamanho, ou aqueles que demoram 4 horas ou mais para chegar à linha de chegada, não devem exceder a ingestão de líquidos e a sua recomendação será em torno de 400 ml/hora. Há que beber à medida que se perde líquido e não ingerir acima das perdas pelo suor. Assim, é primordial que os atletas adotem estratégias que lhes permitam lidar com a sua taxa de transpiração, como pesadas antes e após a competição.

Em alguns corredores, a ingestão de pequenas doses de cafeína consumidas bebidas de cola, bebidas esportivas ou em alguns géis, pode ser benéfica na última hora de competição.

O que comer depois da maratona

Uma vez terminada a maratona , há que prestar atenção à sua recuperação para garantir que esta seja o mais completa possível. A nível nutricional é recomendado tomar um shake com uma proporção de hidratos de carbono/proteína de 4:1 e com conteúdo em sódio, sempre dentro de horas após o encerramento da competição. Depois, a comida deve assegurar o restabelecimento do balanço hidromineral, ser rica em legumes e frutas para diminuir a acidez, conter abundância de hidratos de carbono para recuperar os níveis de glicogênio e algum alimento proteico para promover a síntese de proteínas.

Dicas de nutrição, hidratação e hábitos para a maratona

2-3 dias antes da maratona

  • Fazer uma dieta de sobrecarga de hidratos de carbono (ver mais abaixo um exemplo).
  • Aumenta em 1 ou 2 vasos da ingestão de líquidos diária. Assegura um consumo de água de 1,5 L mínimo.
  • Não experimentar nada de novo e não altere sua rotina habitual. É o momento de fazer aquilo que você sabe que funciona e se sentir bem.
  • Evita tomar alimentos picantes e legumes que se possam resultar flatulentas como couve-flor, brócolis, couves-de-Bruxelas, alcachofra ou alho-poró.
  • Reduz o consumo de alimentos crus, como a salada. Combine-o com verdura cozida em creme, vapor ou prensa.
  • Estes dias evita tomar, leguminosas (lentilha, grão de bico…) incluindo as ervilhas. Assim como os alimentos muito ricos em fibra ou integrais, 1 ou 2 dias antes da maratona.
  • Reduz a ingestão de gorduras em forma de salame tipo chouriço ou salpicão, queijos curados, frituras e refogados, molhos como maionese ou pastelaria.
  • Come devagar e mastiga bem os alimentos.
  • Evita o excesso de cafeína. Mantenha o seu consumo normal, mas não consumas mais de 3 cafés por dia. Evite as bebidas energéticas por seu excesso de cafeína e guaraná.
  • Evite o álcool.
  • É muito importante o repouso e horas de sono. Se você estiver nervoso o dia antes da prova, você pode preparar uma infusão relaxante.
  • O dia antes do jantar cedo, sentado e em um ambiente tranquilo.
  • Tente sair a hora que o farás o dia da maratona, para que seu corpo se adapte ao horário de funcionamento, se este for diferente do seu horário habitual.

2-3 Horas antes da competição

  • Como a dieta de sobrecarga, substituindo o leite (se não o tolera bem) por um suco ou bebida vegetal ou se já toma suco, 1 peça de fruta, por exemplo, 1 banana. Os cereais de café da manhã você pode substituir por pão (não integral) com peru, presunto ou geleia.
  • Beber 1 ou 2 copos de água. 1 deles pode ser bebida isotônica.
  • Parar de beber e comer 1 hora antes de começar a corrida.

Dicas de suplementação e hidratação durante a maratona

  • Você deve beber entre 400ml (se você é de compleição pequena e/ou você vai correr em um ritmo mais lento) e 800ml (se você é de compleição grande e/ou você vai correr em um ritmo rápido) de bebida isotônica a cada hora, a partir dos 60 minutos de corrida. Bebendo a goles de 100-150ml a cada 15-20 minutos.
  • Evite beber somente água, você precisa de repor o sódio que perde pela transpiração.
  • Você pode tomar 1 gel, com água, a partir dos 60 minutos de corrida e repetir a cada hora de corrida.
  • Não proves suplementação que não tenha experimentado antes da competição.
  • Estas recomendações de hidratação são genéricas e, em nenhum caso, substituem uma recomendação personalizada.

Dicas para a recuperação pós-maratona

  • Você deve beber de 150% do peso perdido. Se você perdeu 1 quilo, você deve beber 1,5 L de líquido.
  • As bebidas que contêm sódio (isotônica ou caldos) ajudam a recuperar o equilíbrio de água rapidamente, o que irá melhorar a sua recuperação. O mesmo te ajudarão os salgadinhos, biscoitos salgados ou as refeições temperado.

Conclusões

Estas são algumas das orientações nutricionais, de caráter geral, mais importantes para realizar uma maratona. Não obstante, uma estratégia nutricional totalmente individualizada será a chave para conseguir seu objetivo esportivo nas melhores condições.

Contos – Sexualidade no Plural: O Direito à…

ramon | 27/03/2018 | 0

Sexualidade no Plural: O Direito à Diferença

Primeiramente, eu gostaria de agradecer o convite e parabenizar a Associação Lésbica de Minas pela realização deste evento, a ALEM tem sido uma importante parceira do NuH em nossas atividades e é retribuindo e consolidando essa parceria que eu aceitei o convite para discutir, nesta tarde, juntamente com Lili Anderson (ABGLT) e com o Tiago Coacci (GUDDS!), um tema que intitula essa mesa e que foi formulado a partir de uma perspectiva bastante interessante e pertinente: “sexualidade no plural: o direito à diferença”.

Trabalhar com a perspectiva da(s) sexualidade(s), no plural, exige-nos um esforço analítico muito maior
no entendimento das múltiplas e variadas possibilidades que as pessoas têm de se relacionar afetiva e sexualmente com outras pessoas. Não apenas no que se refere à orientação do desejo erótico dessas pessoas: orientações homo, hétero ou bissexuais, mas exige-nos um maior esforço porque se refere, fundamentalmente, à diversidade inerente ao próprio conjunto de fenômenos aos quais denominamos ‘sexualidade’. Refere-se, portanto, às diferentes maneiras pelas quais duas (ou mais) pessoas podem se relacionar afetiva e sexualmente de diferentes modos, com múltiplos e variados objetivos e motivações.

Gosto de destacar não apenas a dimensão ‘sexual’ quando denomino tais relações, mas também a dimensão do ‘afeto’, não sua noção no sentido de um sentimento romântico, ou do ponto de vista clichê de amor como sinônimo de sexo, mas sim, a noção de afeto num prisma mais psicológico, talvez: considerando afeto como tudo aquilo que nos afeta de alguma forma, algo que imprime em nós certo senso estético e ético, ou seja, tudo o que nos afeta no âmbito dos sentidos e no âmbito dos valores. Portanto, quando problematizo a temática da(s) sexualidade(s), contemplo essa dupla dimensão afetiva-sexual das relações.

Neste sentido o título desta mesa é não somente interessante, mas, sobretudo, pertinente, pois não
encerra a discussão na pluralidade da sexualidade, mas vai além, afirma politicamente algo: o direito à
diferença! Então quero concentrar minha reflexão nestes pontos: de que direitos se tratam, e de quais diferenças estamos falando.
É importante destacar que a problemática dos direitos, bastante ampla e complexa, contempla uma infinidade de pressupostos relacionados ao domínio da cidadania. Direitos referem-se aos princípios de 1 Professora Adjunta do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF e pesquisadora do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. regularidade e condescendência da vida social dos indivíduos e dos grupos, constituídos sempre coletivamente e, pressupondo, uma base democrática. Tradicionalmente explicita-se três grandes modalidades de direitos: os direitos civis, os políticos e os direitos humanos.

Quando falamos de ‘sexualidade’ frequentemente associamo-la aos direitos humanos. Ou seja,
reconhecemos que as múltiplas e variadas possibilidades que as pessoas têm de se relacionar afetiva e sexualmente com outras pessoas são regidas por princípios – que almejamos serem democráticos – de regularidade da vida social dos indivíduos e dos grupos, enfim, da humanidade. Direitos humanos remetem a dois princípios que estão inexoravelmente articulados: o princípio da dignidade humana e o princípio da autenticidade (Taylor, 1997).

A visão de mundo proveniente da racionalidade moderna instaurou uma nova perspectiva, a dos direitos subjetivos que, pautados na perspectiva liberal de igualdade, liberdade e fraternidade, instauram a égide que organizou a perspectiva universal abstrata do sujeito moderno. Taylor definiu o conjunto de ideais que se articulam sob tal perspectiva como ‘princípio da dignidade’. Instaura-se assim, por meio desse princípio, uma série de direitos individuais potencialmente universalizáveis. Assim, a idéia de dignidade estabelece as bases, na Modernidade, para o reconhecimento universal entre iguais (Idem).

Contudo, na mesma medida em que se coloca a possibilidade de reconhecimento pelo princípio da dignidade, um outro conjunto de pressupostos configura, concomitantemente, o campo de possibilidades de reconhecimento dos sujeitos e dos grupos na modernidade: aquilo que os torna peculiares, diferentes, específicos; sua autenticidade.
A reflexão no âmbito das sexualidades e seus direitos – direitos sexuais – está inserida neste campo tenso entre o que nos iguala e o que nos diferencia; entre o que nos une e o que nos separa; entre o que nos agrega na humanidade e o que nos particulariza no interior dela.

As experiências dos sujeitos são regidas por um complexo sistema pelo qual se articula um cruzamento estratégico de dispositivos normativos da sexualidade de modo a delimitar binariamente características de masculinidade e de feminilidade, categorizando e hierarquizando práticas corporais. É pelo sistema sexo/gênero que se estabelece a institucionalização das condutas corporais hétero normativas. Esta institucionalização, por sua vez, estabelece as regras que fazem funcionar a regularidade das condutas. Condutas prescritas por uma heterossexualidade compulsória que estabelece as regras e sansões aos grupos dicotômica e antagonicamente separados: homens e mulheres.

Aos homens, a masculinidade, a virilidade, a sexualidade exacerbada; às mulheres, a feminilidade, a docilidade, a a sexualidade recatada. É assim que nós, mulheres, somos educadas, desde muito cedo, durante muito tempo: para sermos femininas e dóceis. Mas ao crescermos percebemos que isso não basta, descobrimos que é necessário sermos gostosas, porém, sem promiscuidades, pois há as mulheres para casar e há as mulheres para transar. A lógica binária da hétero normatividade nos coloca sem saídas: ou somos uma coisa, ou somos outra. E deste modo, corpos com vaginas e peitos tornam-se matéria-prima de inscrição simbólica das estéticas e dos valores hétero normativos. Homens se vestindo, andando e se portando como devem ser os homens; mulheres se vestindo, andando e se portando como devem ser as mulheres, eis a ordem que nos é histórica e socialmente imposta como se fosse natural.

Isso fica cristalizado em nossas mentes, em nossas vidas, em nossos corpos, de tal modo que nem nos questionamos o porque das roupas rosas e das bonecas para as meninas, das roupinhas azuis e dos carrinhos para os meninos; das poses sexys e sensuais para as mulheres, do porte viril e másculo para os homens. De modo que nem estranhamos o estranhamento que sentimos ao vermos meninas com roupas, andares e portes masculinos; não questionamos a falta de questionamento que temos ao aceitar que a sociedade de modo geral trate essas “pessoas estranhas” com “modos esquisitos” como pessoas de segunda classe. Sequer nos indagamos se esse tratamento é ou não uma questão de violação de direitos.
Por que insistimos ainda em manter parâmetros de regularidade e condescendência da vida social dos indivíduos dos grupos amparados em ditames tão obsoletos como os enquadres binários sexistas hétero normativos? Porque uma menina-menino nos é tão estranho? Porque legitimamos padrões que separam masculino X feminino em fronteiras tão estanques ao ponto de cairmos na armadilha que nós mesmas denunciamos: a de colarmos sexo-gênero-desejo.

A realidade nos mostra que somos muito mais “mutantes” do que pensamos ser. No que se refere às sexualidades então, as possibilidades são quase infinitas. Há um universo muito mais amplo e rico de experiências, vivências ou, como diria Judith Butler, performances, para além dos ditames normativos da masculinidade e da feminilidade fixas. E nisso consiste um dos desafios mais instigantes da bandeira do “direito à diferença”. Diferenças nos modos de vestir, de falar, de agir, de transar, de amar.

Quando nossas mentes, nossos corpos, quando nós ousarmos romper as fronteiras do sistema sexo gênero- desejo, quando deixarmos as diferenças se manifestarem sem que se tornem hierarquias, talvez então possamos entender que as tensões entre o que nos torna semelhantes, enquanto humanos, e autênticos enquanto sujeitos, são próprias da nossa existência, mas que nem por isso podem ser legitimadas como motivos de discriminação e preconceito.

Quando entendermos que a dinâmica igualdade-diversidade não nos obriga a escolher entre “uma coisa” ou “outra”, mas que nos permite sermos múltiplos e diversos, criativos e originais, semelhantes e diferentes, então quem sabe, poderemos estranhar nossos estranhamentos diante do que achamos estranho, ou exótico. Talvez possamos, finalmente, constatar e vivenciar a pluralidade de nossa sexualidade e legitimar, efetivamente, a diferença como um direito.

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