Aline Ferraz da Silva*
Resumo
Nesse artigo apresento as considerações e análises presentes na pesquisa em processo,
que realizo numa escola pública. Sua constituição deve seu primeiro movimento às
manifestações de desconforto e homofobia com relação a um grupo específico de três
estudantes gays na comunidade escolar na qual atuo como professora. Percebo que a
presença desse grupo desacomoda o cotidiano escolar e desenvolvo minha
argumentação com base no potencial desestabilizador desses sujeitos, na intenção de
pensar o impensável no currículo escolar. Esse trabalho parte da visibilidade de uma
identidade sexual que foge à norma heterossexual e desafia a tendência normalizadora e
homogeneizadora da educação. A maneira como esse grupo gay se posiciona e constrói
seus corpos cruza as fronteiras do masculino/feminino, desnaturalizando as identidades
sexuais e de gênero que se baseiam em características biológicas e se apresentando
como diferença que escapa às classificações binárias. Na construção da pesquisa utilizo
como referência o pensamento de Michel Foucault, especialmente com relação à
construção histórica e discursiva de conceitos como sexualidade, identidade, diferença e
normalidade que têm servido para criação e manutenção de padrões de conduta. Ao
levar a problematização desses conceitos para o contexto escolar, considero produtiva a
teorização queer para pensar a possibilidade de uma educação não heteronormativa,
produtora de diferenças, que desconstrua identidades ao invés de tentar cristalizá-las.
Palavras-chave: gay, escola, identidade, queer, diferenç